Lygia Gil
As vezes me pergunto: Será que eu faço bem meu papel? Será que eu sou boa comunicóloga?
Será que eu dou o exemplo que precisa ser dado?
Eu sei que eu não sou perfeita, longe disso. Mas eu penso no peso que temos na vida das pessoas.E como cada atitude gera outra. Hoje eu me vi tentando conversar com uma adolescente....
Essa pessoa tão nova, com tantos problema.Tá, eu sei que cada um tem segundo suas atitudes e suas ações, e que ninguém passa nada a toa. Mas como explicar isso?
Como não tornar isso um chavão, um bordão. Como explicar para os outros o nosso ponto de vista?
A verdade é uma só mas, todos estão aptos para escutá-la agora?Como não interferir na atitude dos outros. Principalmente de uma adolescente?!
Eu nunca fui uma pessoa santa. Pelo contrário, fui da pá virada. Mas, eu entendi meu caminho. Entendi que sem a reforma íntima, de nada adianta. Que é um trabalho diario e não podemos desanimar nunca!.
E volto a me perguntar:
- Será que desempenho bem esse papel? Que eu posso fazer a diferença, eu já sei. Somente falta agora é ser guiada para o caminho do bem. E eu penso no texto de Antoine de Saint-Exupéry, do Pequeno Príncipe...

"O Pequeno Príncipe"

(trecho)

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"